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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

BAIANO ZEFERINO



Zeferino foi seu nome quando viveu sua última encarnação na Terra, mais precisamente, no estado da Bahia. Homem alegre, que vivia de qualquer trabalho em qualquer lugar, pois teve vida simples sem nenhuma ambição. Muito vaidoso, e namorador, se vangloria em dizer que “povoou a Bahia”. Conhecedor dos rituais de candomblé freqüentou várias casas com várias funções e responsabilidades. Era exímio lutador de capoeira, sabedor da arte que sucumbiu aos golpes fatais desferidos pelo filho da única mulher que realmente amou. Por volta de 1919 foi enterrado em vala comum, que com o passar do tempo foi esquecida. Diz nosso amigo, que ficou em volta de seus ossos quase vinte anos, assombrando quem por perto passasse.

A libertação desse espírito ocorre com a força das preces que faziam numa casinha humilde, por época do dia  de finados de 1939. Essas preces por todos os espíritos em sofrimento encaminhou nosso amigo que se firmou nos ensinamentos da corrente de Santo Agostinho. A partir daí começou seu aprendizado para retornar à Terra e ser mais um mensageiro do plano astral. Recebeu como missão primeira, por volta de 1953, acompanhar e incentivar um pequeno grupo espírita kardecista em Santa Catarina, onde se apresentou como caboclo Zeferino cumprindo um trajeto de aconselhamento aos simples que ali chegavam. Em 1954, recebeu como missão me acompanhar. Sua primeira manifestação espiritual ocorreu quando tinha nove anos de idade, e aí sendo tão imatura e despreparada, foi realizado um trabalho espiritual para que se aguardasse melhor tempo com mais maturidade física.

Em 1972, recomeçavam as manifestações espirituais, numa época conturbada e dentro de um centro de Umbanda. E desde esse tempo até os dias de hoje passados 36 anos, foi o espírito desse Baiano que me aconselhou, acompanhando a adolescência, meu casamento, a vinda dos meus filhos e agora meu neto. São inúmeras as bênçãos que recebi as palavras de conforto que recebo até agora. Aprendi com esse amigo praticamente toda uma enciclopédia de saber, conheci a força dos orixás, entendi o porquê dos rituais e como direcionar energias. Aprendi a Ter tolerância, paciência e perceber os ciclos que acompanha tudo na vida.

Hoje sabemos que sua evolução espiritual prosseguiu e está com os guias de Quarto Grau por opção, e sua vibração é a de Caboclo de Ogum de Lei.

Fonte: maeyemanjaebaianozeferino.com.br

CIGANA SAMANTHA



Samantha nasceu e morreu na Espanha com 21 anos em 1903. Luta pelo amor entre as pessoas e a paz, luta para que todos reconheçam a força dentro de si. Odeia injustiças e reconhece a verdadeira essência das pessoas pelo olhar e pelo sorriso. Adora rosas vermelhas, pedras, brincos grandes (argolas etc.), pulseiras, anéis, perfume de rosas.Adora crianças, contagia a todos com sua alegria e seu sorriso. Samantha cultiva um grande amor pelas pessoas e tem prazer em dividir com aqueles de que gosta sua felicidade.

Faleceu meses antes de seu casamento com um cigano do grupo o qual a amava muito e sofreu muito com sua partida. Seu desenlace foi causado por um acidente com a carroça que viajava com outros 4 ciganos do grupo, somente um sobrevivente. A carroça perdeu uma roda e passavam em uma estreita ruazinha de terra entre as montanhas, a carroça caiu em uma ribanceira.

Mesmo com tudo isso Samantha jamais perdeu sua alegria e o sorriso, o que hoje tenta passar para outras pessoas com sua força.

Fonte: kalytzeenn-kaly.blogspot.com

PRETO VELHO PAI JACÓ DE GUINÉ



Nasceu em Guiné, na África em 1764, ainda criança aos 7 anos de idade, veio ao Brasil, como escravo. Foi comprado por um fazendeiro, da região do norte de Minas Gerais, um homem rústico e de coração duro, que nunca na sua vida foi capaz de chorar nem por sua dor nem a dos semelhantes. Em criança chamava-se Jacó, não sabendo se foi ou não batizado com esse nome. Depois já de velho passaram a chamá-lo Pai Jacó. Sempre fora resignado, humilde e muito trabalhador e gozava da confiança do seu patrão, quem sempre procurava servir satisfeito e da melhor boa vontade. A véspera de Natal, era costume do seu senhor convidar, para um banquete, todos os seus vizinhos fazendeiros a passarem a noite na sua fazenda,com grande fogueira onde dezenas de pessoas se reuniam e dançavam até o alvorecer. Desde o dia 22, o seu senhor havia comprado perus, patos, galinhas e leitões para a festa do dia 24 de dezembro. Designou o Pai Jacó para tomar conta destes para que não fugissem. Na manhã seguinte, verificou o senhor que desapareceram muitas aves e animais por um buraco feito no cercado de taquara. Indignado pelo acontecido, mandou prender Pai Jacó e uma enxovia apropriada, sem luz e sem água, depois de recriminá-lo asperamente e ordenou ainda que nenhum alimento, nem água lhe fossem dado. Na manhã do dia 24, apareceram no terreiro, não se sabe como, todas as aves e leitões desaparecidos. Na madrugada desse dia, Pai Jacó, na sua prisão, ajoelhou-se e, em uma prece sentida entre lágrimas, pedia a Jesus que o seu amo não o culpasse da falta de que estava inocente e orando também por ele, para que recebesse do céu a luz de que carecia; que a ele concedesse a resignação e humildade que necessitava, para suportar a sua ira e a fome, porque estava passando e não sabia quantos dias continuaria assim, sem uma gota de água na sua prisão. Ao terminar a sua prece, viu clarear-se, repentinamente, a prisão, abrir-se o teto e aparecer um anjo, que lhe parecia o “menino Jesus”, trazendo, sorridente, em uma das mãos, um pão muito alvo, e na outra um copo com vinho, dizendo-lhe com voz angelical:

- Pai Jacó, trago-te, meu amigo, este pão e vinho Jacó, estupefato, ajoelhou-se novamente, chorando de alegria e fitando aquele menino, que pairava no espaço, à pequena altura, envolto em muita luz.

O escravo comeu o pão e viu que saiam raios de luz do mesmo, cada vez que mordia; depois bebeu o vinho e o menino Jesus, sempre de fisionomia sorridente, abençoou-o com as suas mãozinhas rosadas e desapareceu, fechando de novo o teto e voltando a escuridão em que se achava. Mas, pouco tempo durou essa escuridão, pois notou que, pelas frestas da tosca e pesada porta, partiam raios luminosos que ele admirava; sem saber explicar o que era, ajoelhou-se novamente e em uma outra prece cheia de gratidão, agradeceu a Deus a sua misericórdia.

Quando terminou de orar, ouviu rumores de fora e vozes que se aproximavam, abriu-se a porta e apareceu o seu senhor, seguido do feitor e de outros escravos, e lhe disse:

- Pode sair, Jacó. E ordenou a um dos escravos que lhe fosse dado alimento.

- Não preciso comer, meu senhor, respondeu-lhe.

- Ninguém abriu até agora esta porta! Como, então não tem fome?

- Porque na madrugada do dia 24, creio que era de madrugada… eu fiz uma oração a Deus e abriu-se este teto.

O menino Jesus veio cheio de luz com um pão e um copo de vinho e deu-me. Comi o pão do qual saia uma espécie de fogo, e bebi o vinho que era saboroso.

“Depois, o menino Jesus subiu lentamente e desapareceu, fechando-se de novo o teto da minha prisão.Por muitos dias, meu senhor, não precisarei me alimentar”.

O meu senhor ouvia como que petrificado a minha narrativa singela e verdadeira, ficou olhando-me admirado e pelas suas faces corriam grossas lágrimas, lágrimas que ele vertia pela primeira vez na sua vida, pois nunca havia chorado! Chorava, sim, pela primeira vez aquele coração endurecido, que não havia dor que o abatesse.

Dai por diante o meu senhor mudou completamente: tratava bem os escravos e, portanto, a mim também, inteiramente regenerado, dando-me a liberdade quando já doente e sem forças para trabalhar. Pouco tempo, entretanto, durou a minha liberdade terrena, porque parti em busca de uma liberdade muito mais ampla, onde me acho, graças à caridade do Nosso Pai.

Oh! como sou feliz! Como bendigo os sofrimentos porque passei na Terra!

Quanto maiores são os sofrimentos que não buscamos pelas nossas maldades, maiores são também as dádivas do Céu!

Felizes dos que sofrem com resignação e humildade, porque sem essa resignação e humildade, teremos de recomeçar na presente ou em nova existência, as nossas tarefas de resgate.

“Devendo o meu progresso espiritual à minha condição humilde de escravo, e não de branco e grande médico na Espanha, prefiro que me chamem Pai Jacó e não Antonino Silas; e sinto-me bem quando posso falar na minha meia língua de africano, no meio de íntimos, na Terra”. Morreu com 83 anos, próximo a Minas Gerais, no ano de 1847.

Fonte: historiasdeterreirosdeumbanda.blogspot.com

PRETO VELHO PAI BENEDITO DE GUINÉ



José Benedito, nasceu na Guiné na Oceania, mas foi levado para a África por negreiros. Um dia, quando ainda era criança, perdeu-se de sua aldeia, e foi encontrado por um velho aborígine, que antes de levá-lo para o seu povoado ficou com ele por um período de 3 meses, nos quais o aborígine procurou ensinar suas crenças a ele. Mas José Benedito já possuía suas crenças, por isso não acreditou muito no que o aborígine lhe falou. Ao voltar para sua aldeia, ele deparou com vários negreiros, que o levaram juntamente com seu pai para o mercado da África. Dentro do navio ele era um dos mais jovens, contava com 10 anos. O navio, que comportava 700 pessoas, tinha mais de 1500, onde todos faziam suas necessidades fisiológicas ali mesmo, onde estavam presos. Isto ocasionava muitas doenças, além das transmitidas por ratos. Durante a viagem muitos foram morrendo, e os que estavam feridos, os negreiros jogavam água com sal sobre as feridas. Durante a noite jogavam água com sal aonde os negros ficavam, por acharem que isso desinfetava o local, e de dia abriam as portinholas para que a luz do sol entrasse, os negreiros queriam evitar as mortes, pois isso lhes causava prejuízos, seu pai contraiu uma virose e veio a falecer, sendo seu corpo jogado ao mar. Logo após a morte de seu pai, veio-lhe a primeira provação de fé. Sentia-se mal e sabia que tinha adquirido alguma doença, por causa da lavagem que lhes serviam. Surgiu-lhe então, a imagem do aborígine. Era tão real que ele chegou a ter certeza de que não era sonho, pois falava com ele. Este lhe disse para parar de beber a água e de comer a lavagem que lhes davam ao invés, ele deveria pegar a alfafa já quase apodrecida que estava forrando o chão, e lavá-la com a água do mar que jogavam lá dentro todos os dias e assim ele fez. Após uma viagem de mais de 40 dias, ele finalmente chegou no continente africano, e lá ficou por 6 anos ater ser levado ao Brasil.  Em terras africanas conheceu foi um angolano chamado Zimzumba, que era curandeiro e feiticeiro da nação nagô. Zimzumba ensinou-lhe sua magia e a ler , e disse-lhe em uma de suas visões de que nada lhe adiantaria fugir, porque seria escravo por toda a sua vida, que iria ensinar a muitos negros como ser forte e lutar por seus ideais, e que viria a não mais escutar a voz das pessoas.A princípio não entendeu, mas acreditou, lembrando-se de como o aborígine havia lhe ajudado. Após esse período de 6 anos foi levado ao Brasil Colônia, em uma viagem de mais de 30 dias. Aportou em Parati e foi vendido em um leilão ao Sr. Patrocínio e à Sra. Joaquina, que moravam em uma fazenda no interior de São Paulo. Lá chegando conheceu o único amor de sua vida, Maria Benedita, que hoje trabalha na linha da Vovó Conga.  Passou-se vários anos, e ele, insatisfeito com a vida que levava, viu novamente, em uma noite de lua cheia, o aborígine. Este pediu-lhe que entrasse em contato com a cultura daquele país. Fazendo isso, teve o primeiro contato com o que seriam os Orixás. Longe de suas crenças, e já crendo no aborígine, começou a se aprofundar nesse culto afro-brasileiro, onde acabou por casar-se com Maria Benedita, sendo ela mucama da casa grande, pois sabia ler e escrever, conseguiu junto a seus donos que ele fosse trabalhar lá. Importante notar que seus donos gostavam muito de ambos, mas sendo ele um tanto bisbilhoteiro, acabou descobrindo uma tramóia contra o Sr. Patrocínio, movida por seus filhos para tomarem posse das terras; um deles, ao descobrir que José Benedito havia descoberto tudo, mandou-o de volta para a senzala, e ordenou que lhe furassem os dois ouvidos. Foi aí que começou a sua caminhada de fé, começou a acreditar de verdade na força espiritual dos Orixás, e passou a freqüentar mais os cultos; nesse período conheceu quem seria seu maior carrasco.  Como castigo por ter tentado avisar o Sr. Patrocínio, ele facilitou minha fuga para então me matar, mas durante a fuga surgiu uma luz forte que cegou a ele e ao capitão-do-mato, não conseguindo ele seu intento. Levou-me então de volta e permaneci vários dias no tronco, sendo chicoteado diariamente, mas algo me fazia ter forças para viver, e sabia que alguém cuidava dele. Quando Maria Benedita veio lhe dar água, disse-lhe que estava grávida, após alguns meses nascia José Benedito de Angola, seu único filho; não satisfeito, o filho do Sr. José Patrocínio vendeu Maria Benedita, desagradando a Sra. Joaquina  Seu filho ficou sendo cuidado por uma outra escrava. José Benedito revoltou-se sendo novamente amarrado ao tronco. Surgiu então diante dele a figura de uma mulher, dizendo-lhe que iria conseguir trazer Maria Benedita de volta, e de que nada adiantaria ele pegar a criança e fugir, que sua missão era ali. Ela falou-me que sairia dali e traria Maria Benedita, e voltaria ao tronco por mais alguns dias. Duvidou, mas o aborígine apareceu-lhe e disse-lhe para acreditar, pois já havia tido muitas provas. Surgiu diante dele um homem em um cavalo branco e em seguida ele adormeceu; quando acordou Maria Benedita estava de volta à fazenda, o capitão-do-mato passou a temê-lo, chamando-o de feiticeiro, passou então a seguir o culto dos negros de longe, e maltratando-os menos. Passaram-se anos. Maria Benedita desencarnou antes dele, e seu filho morreu de uma doença desconhecida. José Benedito passou todos os seus conhecimentos para as gerações seguintes. Quando desencarnou encontrou-se com o aborígine, que era seu Mentor Espiritual. Uma de suas missões era fazer com que alguém que tivesse feito muito mal às pessoas, acreditasse que poderia trabalhar no astral, ajudando a muitos. Essa pessoa foi o capitão-do-mato, que após desencarnar foi ser doutrinado por Pai Benedito.

Fonte: historiasdeterreirosdeumbanda.blogspot.com

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

POMBAGIRA MARIA PADILHA DOS SETE CRUZEIROS DA CALUNGA



França, final do século dezenove. Juliette estava desesperada. Aos dezessete anos, filha de nobres franceses estava prometida em casamento para o jovem Duque D'areaux. Por coisas que somente à vida cabe explicar, havia se apaixonado por um dos cavalariços de sua propriedade. Entregara-se a essa paixão de forma avassaladora o que culminou na gravidez que já atingira a oitava semana. Somente confiara o segredo à velha ama Marie, quase uma segunda mãe que a vira nascer e dela nunca se afastara, que a aconselhou a fugir com Jean, seu amado. Procurado, o rapaz não fugiu à sua obrigação e dispos-se a empreender a fuga. Sairiam a noite levando consigo apenas a ama, que seria muito útil à moça, e os cavalos necessários para os três. Perto da meia-noite, Juliette e Marie esgueiraram-se pelo jardim e dirigiram-se até o ponto em que o jovem as esperava. Rapidamente montaram e partiram. Não esperavam, contudo, que um par de olhos os espreitasse. Era Sophie a filha dos caseiros, extremamente apaixonada por Jean. Percebendo o que se passava, correu até a grande propriedade e alertou aos pais da moça sobre a fuga iminente. Antoine, o pai de Juliette, imediatamente chamou por dois homens de confiança e partiu para a perseguição. Não precisaram procurar por muito tempo. A falta de experiência das mulheres fazia com que a marcha dos fugitivos fosse lenta. Antoine gritou para que parassem. Assustado Jean apressou o galope e o primeiro tiro acertou-o no meio das costas derrubando-o do cavalo. Juliette correu para o amado gritando de desespero quando ouviu o segundo tiro. Olhou para trás, a velha ama jazia caída sobre sua montaria.

Sem raciocinar no que fazia puxou a arma de Jean e apontou-a para o próprio pai. - Minha filha, solte essa arma! - assim dizendo aproximava-se dela. Juliette apertou o gatilho e o projétil acertou Antoine em pleno coração. Os homens que o acompanhavam não sabiam o que fazer. Aproveitando esse momento de indecisão a moça correu chorando em total descontrole. Havia uma ponte à alguns metros dali e foi dela que Juliette despediu-se da vida atirando-se na água gelada. A morte foi rápida e nada se pode fazer. Responsável direta por três mortes (a dela, do pai e da criança que trazia no ventre) causou ainda, indiretamente mais duas, a de Jean e da ama. Triste destino aguardava o espírito atormentado da moça. Depois de muito vagar por terrenos negros como a noite e conhecer as mazelas de incontáveis almas perdidas encontrou um grupo de entidades que a encaminhou para a expiação dos males que causara. Tornou-se então uma das falangeiras de Maria Padilha. Hoje em nossos terreiros atende pelo nome de Maria Padilha dos Sete Cruzeiros da Calunga, onde, demonstrando uma educação esmerada e um carinho constante atende seus consulentes sempre com uma palavra de conforto e fé exibindo um sorriso cativante. Salve minha mãe de esquerda!

Fonte: guardioesdaumbanda.blogspot.com

EXU LERÚ



EXÚ LERÚ O MOURO CIGANO ( CLÃ DOS CIGANOS GUARDIÕES )

“Cachorro correndo sozinho se acha o mais veloz do mundo”. 
(provérbio cigano).

Dona Maria me contou que o Exú Cigano, foi um cigano mourisco que se chamava Lerú. Ele chegou ao Brasil, junto com outros escravos da África e por aqui viveu. Como sabia ler, foi vendido para o dono de grandes armazéns, que o colocou como chefe. Muito esperto, Lerú começou a ajudar muita gente, que como ele, estava naquela triste situação. Ajudou tanto, mesmo correndo risco de vida, que um velho Tata africano lhe iniciou no culto. Ele foi o primeiro cigano a entrar na religião dos negros! Então, depois que desencarnou, passou a trabalhar nas rodas e reuniões que ainda eram escondidas. Dizem que a primeira vez que deu seu nome, foi numa gira no Rio de Janeiro. Daí ganhou o nome de Exú Cigano.

Seu Manuel fazia a distinção entre os espíritos ciganos da “Direita” e os exús ciganos da “Esquerda”. Para ele, Exú Cigano era o líder de outros ciganos que passaram pela Jurema ou outro culto afro-brasileiro em vida.

Na Jurema ou Catimbó, o líder dos espíritos ciganos é Mestre João Cigano. Perguntei a Tio Manolo se ele conhecia outros nomes de espíritos ciganos, chefiados por Exú Cigano.

- Tem o Exú Cigano do Oriente, Exú Cigano do Circo, Exú Cigano Calão (da Tribo Calon), Exú Cigano da Praça e Seu Giramundo Cigano (não confundir com o Exú Giramundo). 

Segundo ele, tem também as Pombas Giras Ciganas, com suas histórias, lendas e magias.

Fonte: guardioesdaumbanda.blogspot.com

sábado, 18 de agosto de 2018

POMBAGIRA DA MADRUGADA



Quem eu era e quem eu sou...

Essa é minha história, como eu vivi e como me tornei um Pombagira. Desde muito nova eu fui criada por minha madrinha - mulher de frios costumes cristãos, muito rígida e dissimulada. A sociedade a tratava como benfeitora, mas na verdade, ela usava seu nome e suas posses para acumular riqueza e destruir famílias. Com a promessa de fornecer uma boa educação às moças do interior, ela as batizava quando pequenas e depois as buscava para morar com ela. Mas, a realidade era bem diferente...

Eu fui uma dessas moças pobres, que a família acreditou na promessa de uma vida melhor. Quando ela me tirou da casa de meus pais para levar-me à capital parisiense, eu tinha 11 anos. A família receberia todo mês uma mesada para poder se manter em troca de minha permanência na capital. Recebi aulas de etiqueta, piano, música, artes, matemática e francês. Tornei-me uma moça recatada e de fino trato. Em dois anos eu era um exemplo de moçoila bem educada!

Ela me levou às melhores lojas e me vestiu com esmero. Depois fez um baile para apresentar-me à sociedade. Em minha "Festa de Debutante" haviam muitos homens e algumas mulheres de alcunha duvidosa. Fui apresentada à todos, sem perceber no começo do que se tratava. Ao final do baile ela anunciou o leilão de minha virgindade e depois minha venda ao Cabaré que melhor pagasse. Fiquei desesperada quando percebi a real intenção de tudo, tentei fugir, mas a casa era bem guardada.

O leilão aconteceu e pelo burburinho percebi que eu era "uma das peças mais valiosas de sua coleção". Pagaram muito bem pela minha primeira vez. Um senhor, ouvi dizer que era um senador, foi quem me arrematou. Ele me levou para o quarto e não tardou em fazer o serviço. Fui usada de muitas maneiras e não pude reagir. Depois de uma noite inteira de aproveitamento, o senador entregou-me para a Dona de um Cabaré famoso.

O tempo todo pensei em minha família e em como voltaria pra casa. Eles precisavam do dinheiro que recebiam, então me conformei com meu destino. Cada noite, um cliente diferente desfrutava de muitas horas comigo. Por um mês eu fui novidade e fui disputada. As outras meninas diziam que eu seria como elas: apenas mais uma depois disso.

Mas, algo dentro de mim se modificou e eu passei a lutar obstinadamente pela minha vida e tornei-me diferente. Passei a seduzir e aprendi todas as artes do prazer e da luxúria. Em pouco tempo eu sabia dar a um homem tudo o que ele desejasse e tornei-me uma das preferidas do Cabaré. Após um ano, eu não era mais uma menina, eu era uma mulher sedutora e confiante. Ganhei a confiança da dona e passei a treinar outras meninas. De onde eu sabia tudo aquilo e como havia aprendido? A resposta, provavelmente, estava em outras vidas...

Após dez anos eu acumulei uma fortuna, ajudei minha família, mas nunca mais fui visitá-los, pois eu não era mais a doce menina que saiu de casa. Comprei minha liberdade e montei meu próprio Cabaré. Porém, eu fiz diferente de minha "madrinha", eu buscava as moças pobres da região, mas lhes contava a verdade sobre sua situação. Pagava um bom dinheiro à família e as levava comigo, treinava-as e lhes ensinava como não sofrer... Se houvessem meninos dispostos a ir comigo, eles se tornavam serviçais ou também podiam trabalhar na arte da sedução. Afinal, haviam mulheres dispostas a pagar muito bem por prazer.

Um dia visitei de forma disfarçada a minha madrinha, para agradecer-lhe o que fez por mim. Levei comigo cicuta e antes de sair despejei o veneno em seu chá... No outro dia eu soube que ela falecera durante a noite de mal súbito. Eu estava vingada! Não poderia ter minha antiga vida, mas ela não poderia ferir mais nenhuma menina. Esse ato, porém, não me deu paz de espírito. Eu não poderia voltar a ser a mesma pessoa, mas quem eu era, também não me deixava feliz...

Trabalhei por mais dois anos; treinei muitas meninas e escolhi uma para assumir meu lugar. Então, preparei-me para sair em viagem e fui conhecer o mundo. Eu descobri que estava com tuberculose e não teria muito tempo de vida. Minha viagem seria uma despedida de tudo. Consegui viajar por seis meses e quando estava na Índia, visitei um mosteiro... Procurei um monge e contei-lhe minha história. Ele me falou da reencarnação, do perdão e de uma nova chance. Ele me contou muitas histórias de santos e deu exemplos de grandes líderes que se transformaram.

Ele me convidou a pernoitar no mosteiro e eu morri ali, em paz, numa paz que há muito tempo eu não sentia! Quando cheguei ao outro lado eu fui recebida por outras moças com situação semelhante a minha e fui convidada a trabalhar com elas. Fui treinada e recebi uma roupagem fluídica, com um nome e uma missão: recolher as almas de outras moças perdidas. Assim tornei-me uma Pombagira e passei a trabalhar no Plano Espiritual. Foi uma forma de quitar minha dívida por tirar uma vida humana e de encontrar minha redenção pessoal.


Fonte: historiasdeterreirosdeumbanda.blogspot.com